terça-feira, 16 de abril de 2013

Afinal, o que é o AMOR? E qual é o seu?


O amor é um sentimento multifocal. É, segundo a psicologia, uma confluência de paixão, intimidade e união. Está ligado a numerosas emoções e influencia os comportamentos. O amor, ele próprio, combina-se com sentimentos de fundo como a excitação, o bem-estar, o entusiasmo e a harmonia.
O amor influencia também o estado do nosso Eu (nas suas dimensões espiritual, psíquica e física) e pode contribuir para o enriquecimento da auto-estima. O que quer dizer que, na ausência do sentimento do amor, ou na sua falta de correspondência, o nosso psiquismo pode falhar, sofrer rupturas e provocar sentimentos de frustação, desânimo, tristeza e depressão.

O ser humano está predisposto geneticamente para amar e ser amado porque é um animal profundamente social, envolvido em múltiplas redes de relações (familiares, comunitárias, laborais, etc.). Os sentimentos têm servido ao Homem para o influenciar na sua percepção de si e do mundo e levá-lo a agir no e sobre o mundo. O amor, em particular, é um estimulante poderoso (motivador) da acção. Já a falta de amor conduz à inacção.

O desenvolvimento da capacidade de amar depende de factores históricos, culturais e familiares. O amor, hoje, é diferente de épocas passadas. Por exemplo, no período do Romantismo (final do século XVIII e grande parte do século XIX) o amor estava associado à paixão - um sentimento intenso, contemplativo e subversivo. Ele era sentido como emancipador mesmo que trágico como na história de Romeu e Julieta.

Actualmente, o amor é mais dominado pela racionalidade. O amor já não provoca escravidão como antes da época do Romantismo. O sofrimento é mais limitado nas suas consequências e não amar para toda a vida já não constitui um drama para a maioria das pessoas. O amor romântico, por exemplo, ainda que procurado por muitas pessoas, não passa actualmente de um mito. "A paixão de hoje é mercadoria de consumo. Não mais a ver com o destino, com os riscos, com o enfrentamento" - escreveu Renato Ribeiro, professor titular de Ética e Filosofia Política.

As transformações sociais modificaram um pouco a forma como o amor é percebido, sentido e gerido. O modo de amar depende muito das aprendizagens sociais nos primeiros anos de vida. Num mundo em que aumentam os divórcios entre casais os filhos ficam menos preparados para relacionamentos amorosos duradouros.

Por outro lado, actualmente, ensina-se mais sobre as relações sexuais do que sobre as relações amorosas. Os jovens sabem mais sobre sexo do que sobre amor. E isto influencia o seu comportamento no mundo. É de prever que no futuro os divórcios tendam a aumentar e a própria instituição do casamento, tal como a conhecemos hoje, desapareça.

Os estilos de amar

Geralmente, as pessoas apresentam uma combinação de dois ou três estilos de amor. Observa-se, porém, que há um estilo que tende a predominar nas relação que estabelece com o parceiro.

O estilo romântico - é o mais cantado pelos poetas e actualmente é muito mais feminino do que masculino. Envolve paixão, unidade, atracção sexual. A pessoa que é capaz do amor romântico celebriza cada momento vivido com o parceiro, faz desse sentimento um objectivo de vida. O amor romântico, quando correspondido por uma pessoa do mesmo estilo, é fortalecido pelas dificuldades que o casal tenha de viver para levar a sua relação por diante. A vida familiar e profissional do amante romântico é fortemente influenciada por um comportamento que traduz contentamento e felicidade permanente. Aparece na adolescência e ainda provoca casos de perdição. O fracasso de um amor romântico ainda pode levar ao suicídio.

O estilo possessivo - é destabilizador sendo determinado pelo ciúme. Desencadeia emoções extremas e comportamentos obsessivo-compulsivos. É um amor que alterna entre momentos de prazer e momentos de sofrimento. O medo da perda é, por vezes, dramático e empurra a pessoa para situações doentias (perseguir o parceiro, vasculhar-lhe a roupa e a correspondência, desconfiar de tudo aquilo que, na sua imaginação, possa pôr em causa a relação. Exige do outro constante atenção. A vida familiar e profissional pode ficar profundamente prejudicada quando ocorrem momentos de crise (que são frequentes no possessivo). 

O estilo cooperativo - nasce geralmente de uma amizade anterior e antiga. Sobrevive graças à confluência de hábitos e interesses comuns. No centro deste estilo de amar conjugam-se a confiança e a segurança. Está presente especialmente nas pessoas extrovertidas, sociáveis, com uma grande rede de amigos e pessoas próximas. O sentimento de amor cooperativo não nasce de paixões intempestivas mas aparece discretamente a partir de uma relação mais íntima e cúmplice com um amigo, por vezes dos tempos de infância.
O estilo pragmático - surge principalmente nas pessoas práticas, disciplinadas e disciplinadoras, com uma educação, por vezes, austera. A inteligência e a razão moldam esta forma de amar de forma que a relação amorosa seja vantajosa, até mesmo em termos materiais. Geralmente a pessoa estabelece relações sentimentais em função dos seus projectos de vida pelo que apenas escolhe o parceiro em função dos seus interesses centrais. A pessoa minimiza ou reprime o sentimento de amor não sendo dada a manifestações de carinho expressivas.
O estilo lúdico - é baseado na conquista e na busca de emoções passageiras. A pessoa não se dedica inteiramente ao parceiro, diverte-se com muitas outras coisas e até consegue relacionar-se amorosamente com outros parceiros em simultâneo. O sexo constitui um aspecto central do amor lúdico. As relações, além de passageiras, são superficiais e não tem em linha de conta o envolvimento do outro, já que ele pode fazê-lo sentir-se seu prisioneiro. Não mantem uma relação sistemática e evita o casamento ou a vida em comum. É um estilo muito frequente em jovens adultos, em especial homens.
O estilo altruista - a pessoa que segue o estilo altruista dispõe-se a anular-se perante o outro. O outro é o centro de tudo. Está pronta a subjugar-se aos desejos e vontades do parceiro. Tem baixa auto-estima, é frágil, serve-se do outro para se sentir protegida. Está disposta a tudo para não perder o parceiro, sacrificando os seus projectos de vida, os seus sonhos e até a sua imagem exterior. Veste-se ao sabor dos gostos do parceiro, faz tudo o que ele quer. Tende a isolar-se num mundo onde, na sua imaginação, só cabem os dois ainda que o outro pense e actue exactamente ao contrário.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Redução da maioridade penal e nossa hipocrisia diária

Por
– 13 de novembro de 2012Publicado em: Com a palavra
A mais nova moda nas mídias sociais é o compartilhamento e pedido pela redução da maior idade penal. As pessoas que compartilham essa iniciativa, muitas vezes valendo-se da emoção, do imediatismo, da desinformação ou mesmo do conforto que o elitismo lhes proporciona, nem ao menos param para analisar o teor da proposta. Talvez elas não vejam, ou não saibam, que direitos básicos (fundamentais) de crianças e adolescentes, principalmente crianças e adolescentes das favelas e periferias, são desrespeitados cotidianamente. Se, pela lei, crianças e adolescentes têm direito à educação, saúde e lazer, na prática não é isso que acontece… E ninguém, ninguém (fora os pais, mesmo sem poder fazer muito), preocupa-se com isto, porque a sociedade organiza-se de maneira a realizar, via uma elite conservadora e perversa, a ideologia midiática que consolida cada vez mais as vantagens materiais e intelectuais das classes dominantes, tornando-nos, apenas, consumidor es, ou seja, gados; seres incapazes de pensar com nosso próprio pensamento e de maneira crítica.
Não podemos negar a violência que nos cerca, mas devemos observar que essa violência é fruto de uma extremada desigualdade social que desde sempre nos assola. Todavia, é cediço observar o contexto social e de degradação em que esses jovens estão inseridos, bem como o histórico de suas famílias: algumas destruídas por drogas e álcool; outras por abuso e exploração sexual; por surras e humilhações, ou mesmo por falta de perspectiva de um futuro e/ou atenção e carinho.
Neste sentido, vem a pergunta: “Por que eu não posso ter tudo isso também?” Aí começa a tragédia. Instala-se a violência de maneira absurda que acaba determinando quem irá pagar por isso: preto e pobre. Então, assim, já sabemos de antemão que esses indivíduos serão os massacrados pelo sistema penal que nada tem de corretivo, nem ensina a conduzir-se conforme a legislação penal vigente. Ao contrário, ao sair da instituição prisão, coercitiva, teremos humanos transformados em bichos e capazes de qualquer coisa para obter seus sonhos (de consumo – tão difundido pelos meios de comunicação).
Creio que até o mais arraigado defensor da redução da maioridade penal um dia foi um adolescente. Será que ele nunca cometeu atos por impulso? Será que esses atos não poderiam levá-lo ao arrependimento? Seria justo ter sua vida manchada desde o mais lacônico início da vida adulta? Talvez os adultos de hoje não tenham sido jovens ontem. E não adianta dizer que tiveram responsabilidade; depois de crescidos todos fomos responsáveis!
A ausência de políticas públicas por parte do Poder Público, da iniciativa privada e mesmo da sociedade é outro fator preponderante nesse debate. Direitos fundamentais, até emergenciais, são postos de lado em detrimento de interesses pessoais, políticos e escusos. Mas todos sempre ouvimos discursos sobre a urgência em investir na educação, priorizar a educação, educação, educação… A cada quatro (ou dois) anos esses mesmos discursos pipocam! E, à reboque, surge o néscio debate contra cotas, ENEM, PROUNI. Agora, na hora de votar para os 100% dos royalties do petróleo ir para educação, votam contra; e saem pela tangente, com as mais variadas desculpas. Que hipocrisia é essa?
Eugênio Zaffaroni, em seu livro Manual de Direito Penal Brasileiro, afirma que o crime não se constrói numa realidade atemporal, ainda mais em um setor tão próximo ao poder como o direito penal, mas é uma construção social. O modo de produção vigente e a “verdade” construída para o controle dos indivíduos constituem as premissas que devem ser utilizadas para a definição normativo-penal.
Em “Vigiar e Punir”, Michel Foucault mostra-nos como age uma sociedade elitista (movida pelo medo, pelo orgulho e pelo preconceito), conservadora e, muitas vezes, reacionária. É essa mesma sociedade que constrói o Direito Penal, organiza o sistema prisional, conduzindo-o para uma criminalidade específica, que, na maioria das vezes, não lhes ameaça, afinal, são eles os donos do poder, mas são esses fatores que cotidianamente acometem a classe média e, principalmente, os pobres. Contudo, é a pequena classe média, com sua pouca e anacrônica visão, induzida pelos meios de comunicação, que não cansam de trazer como exemplo a forma de outros países em lidar com a questão, sem ao menos mostrar as diferenças de realidade, cultura e ordenamento jurídico que possibilita a adesão (ou não) dessas medidas. Assim, no afã de ver os problemas resolvidos, passam a apoiar medidas tolhedoras, populistas e policialescas como panaceia para a violência e criminalidad e, o que acaba por agravar os problemas em vez de extingui-los, e assim nasce a falácia da redução da maioridade penal.
A população é levada a crer que adolescentes não são punidos e, com diminutos exemplos, os alarmistas propagam essa impressão. Mas adolescentes são tão responsabilizados por seus atos quanto adultos, cumprem uma pena de restrição da liberdade, chamada de medida socioeducativa, como previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e que pode se prolongar até após sua maior idade, se assim for constatado a incapacidade desses (ex) menores de se integrarem à sociedade. A diferença básica é que esses adolescentes ficam “presos” em estabelecimentos distintos dos demais presos. E se adolescentes votam, em principio é por mera intenção eleitoreira, por conseguinte é forma de chamá-los para transição da vida adulta.
Por outro lado, precisamos compreender que nossa experiência com o sistema prisional tem falhado com os menores, mas, sobretudo, com os adultos. As experiências do cárcere têm nos mostrado que sua função em educar, reintegrar ou mesmo em punir não está sendo atingida. Nossas cadeias são verdadeiras universidades do crime, que funcionam como escolas de recrutamento, treinamento e aperfeiçoamento para criminosos e, amiúde, para organizações criminosas. Vide o caso do PCC em São Paulo, que em meados dos anos 90 e por toda década de 2000 passou a recrutar seus membros graças à política de encarceramento em massa do governo paulista, que amontoou presos em cima de presos, para satisfazer nossa ânsia punitiva, nossa vontade de vingança que não cessa, como se ela pudesse mudar o contexto socioeconômico e político da realidade em que nos encontramos. Hoje, o próprio Estado sofre as consequências do encarceramento desmedido e insalubre que proporcionou a um a camada cada vez mais desassistida por ele próprio, o que possibilitou a criação de um estado paralelo ao Estado.
Reduzir a maioridade penal serviria somente para entregar adolescentes estagiários aos criminosos experientes, adolescentes em risco, adolescentes pobres e estigmatizados pelo preconceito da pobreza, pelo preconceito da cor, da mesma forma como muitos de seus pais (possivelmente) outrora sofreram. Ademais, o número de crimes cometido por adolescentes não chega nem a 10% do total de crimes praticados no país.  Tentar reduzir a idade penal, a meu ver, é impossível, pois ela é cláusula pétrea, desta forma, podendo apenas ser modificada em sede de beneficiar os menores, mesmo porque o princípio do melhor interesse da criança, queira ou não, prevalece acima de qualquer desejo nosso de estabelecer um novo “pelourinho” para esses indivíduos que não tiveram a oportunidade de serem “socializados” adequadamente.
Portanto, pensar e sustentar argumentos em favor da redução da maioridade penal é, além de irresponsável, de um elitismo sem precedentes. Antes que esqueça, cuidado, pois o padrão sempre é quebrado, dando margem às exceções. Assim, nosso Código Penal em algum momento pode bater em sua porta, talvez seu anjinho não seja tão anjinho assim, mas e se ele for? Seria justo ser julgado e condenado a ser escolarizado pelo/para o crime? Cuidado, hoje o pedido de redução é para os 16 anos, quem sabe amanhã não é para 14 anos? Ou 12 anos, quem sabe…?
*Texto elaborado em parceria com a advogada Claudia Garcia.

quinta-feira, 21 de março de 2013

O que leva um homem a bater na mulher?

 08 de Março é o dia que se comemora o Dia Internacional da Mulher! E essas comemorações agora já se estende por todo o mês, surgindo ai a efetivação do MARÇO MULHER.
Ao participar de uma atividades dessas realizada pelo o CREAS de Teixeira de Freitas/BA uma indagação me foi levantada,  O que leva um homem a bater na mulher?


SEGUNDO alguns especialistas, é mais provável a mulher ser morta pelo companheiro do que por qualquer outra pessoa. Vários estudos foram conduzidos num esforço de coibir a onda de violência doméstica. Qual é o perfil do homem que bate na mulher? Como foi sua infância? Era violento durante o namoro? Como o agressor reage a tratamentos?

 Uma coisa que os especialistas constataram é que não existe um perfil típico do agressor.


Por um lado há aqueles cuja violência é esporádica. Esse tipo não usa arma nem tem antecedentes de abuso. Para ele, o ato de violência é esporádico e ele parece ser influenciado por fatores externos. No outro extremo há o homem que desenvolveu um padrão crônico de agressão. Os espancamentos são constantes e ele parece sentir pouco ou nenhum remorso. 



Mas a existência de diferentes tipos de agressores não significa que algumas formas de maus-tratos não sejam graves. Qualquer tipo de violência física pode causar ferimentos — ou até mesmo a morte. Assim sendo, o fato de a violência de um homem ser menos freqüente ou menos intensa do que a de outro não torna seu comportamento justificável. Não existe violência “aceitável”. Que fatores podem levar um homem a agredir fisicamente a mulher a quem prometeu amar e prezar para o resto de sua vida? 

Exemplo na família 

Como seria de esperar, muitos homens que batem na mulher cresceram em famílias onde presenciavam a violência. Segundo certa especialista, um homem criado em tal ambiente “aprende do pai logo na infância a desprezar as mulheres. O menino aprende que o homem sempre tem de dominar as mulheres e que a maneira de fazer isso é por assustá-las, machucá-las e humilhá-las. Ao mesmo tempo, ele aprende que a única maneira de conseguir a aprovação do pai é copiar seu exemplo”. 

A Bíblia torna claro que a conduta dos pais pode ter forte influência — positiva ou negativa — sobre os filhos. (Provérbios 22:6; Colossenses 3:21) É claro que o ambiente familiar não justifica o comportamento violento, mas pode ajudar a explicar onde são lançadas as sementes do temperamento violento. 


Influência cultural

Em alguns países, bater na mulher é considerado aceitável, ou até mesmo normal. “Existe em muitas sociedades um conceito profundamente arraigado de que o marido tem o direito de bater na mulher ou de intimidá-la fisicamente”, declara um relatório das Nações Unidas.

Mesmo em países onde esse tipo de abuso não é considerado aceitável, muitos adotam esse código violento de conduta. O conceito irracional que alguns homens têm a esse respeito é chocante.

Evidentemente, esse conceito deturpado com frequência é aprendido na infância. Na Grã-Bretanha, por exemplo, certa pesquisa mostrou que 75% dos meninos entre 11 e 12 anos acham aceitável o homem bater na mulher quando provocado.

Não há justificativa para a violência

Os fatores acima talvez ajudem a explicar a violência contra a mulher praticada pelo marido, mas não a justificam. Em termos simples, bater no cônjuge é um grave pecado aos olhos de Deus. 
Na Sua Palavra, a Bíblia, lemos: “Os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio, pois nenhum homem jamais odiou a sua própria carne; mas ele a alimenta e acalenta, assim como também o Cristo faz com a congregação.” — Efésios 5:28, 29.

A Bíblia há muito predisse que nos “últimos dias” deste sistema muitos seriam “sem afeição natural” e “ferozes”. (2 Timóteo 3:1-3) 
O fato de a violência contra a mulher ser tão comum hoje em dia é apenas outro indício de que vivemos no período mencionado nessa profecia.

O agressor pode mudar?
Maltratar a esposa é uma crassa violação dos princípios bíblicos. 
Em Efésios 4:29, 31, lemos: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra pervertida . . . Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante, junto com toda a maldade.” 

Nenhum marido que professa ser seguidor de Cristo pode afirmar que ama a esposa se a agride. Se ele maltrata a esposa, que valor têm as outras coisas boas que faz? O “espancador” não se qualifica para privilégios especiais na congregação cristã. (1 Timóteo 3:3; 1 Coríntios 13:1-3)

Homens violentos podem mudar de comportamento?

Alguns mudaram. Mas em geral o agressor não muda a menos que: 


(1) admita que sua conduta é imprópria

(2) queira mudar

(3) procure ajuda.

A Bíblia exerce grande influência em mudar o comportamento das pessoas. Muitos interessados que estudam a Bíblia desenvolveram um forte desejo de agradar a Deus. Esses novos estudantes da Bíblia aprendem que Jeová Deus ‘odeia todo aquele que ama a violência’. (Salmo 11:5)

É claro que mudar de comportamento envolve muito mais do que deixar de ser espancador.

Significa também adotar uma nova mentalidade.

Quando um homem adquire conhecimento de Deus, ele aprende a encarar a esposa não como escrava, mas como “ajudadora” e não como inferior, mas como alguém que merece “honra”. (Gênesis 2:18; 1 Pedro 3:7)
Aprende também a ter compaixão e a ouvir a opinião dela. (Gênesis 21:12; Eclesiastes 4:1)

“A palavra de Deus é viva e exerce poder.” (Hebreus 4:12) 
A sabedoria contida na Bíblia pode ajudar casais a analisar os problemas que enfrentam e lhes dar a coragem para lidar com eles. Mais do que isso, a Bíblia fornece a esperança segura e consoladora de que haverá um mundo sem violência quando o Rei celestial de Jeová governar a humanidade obediente.
A Bíblia diz: “Livrará ao pobre que clama por ajuda, também ao atribulado e a todo aquele que não tiver ajudador. Resgatará sua alma da opressão e da violência.” — Salmo 72:12, 14.

Findo esta simplória mais importante matéria com uma outra indagação, ater quando deixaremos que tamanha atrocidade continuará ocorrendo? Basta chega de violência contra a mulher!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Grande vitoria do Vereador Edinaldo Rezende: Fundac inaugura Unidade de Semiliberdade

 
Por: Sulbahianews/Uinderlei Guimarães - 08/03/2013 - 15:57:47


A Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), inaugurou nesta quinta-feira, 7 de fevereiro, a Unidade de Semiliberdade Trilha Legal, em Teixeira de Freitas.


A unidade é a sexta em funcionamento no Estado e tem capacidade para 20 adolescentes do sexo masculino. A execução da medida socioeducativa será feita pela organização não governamental (ONG) Profissionais da Área de Saúde Promovendo Ações Sociais (PASPAS), em regime de cogestão com a Fundac.
A cerimônia de inauguração aconteceu na própria unidade, localizada na rua Matias de Araújo, 375, no bairro Santa Rita. Entre os convidados, estavam representantes do sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente e dos poderes Executivo e Legislativo estadual e municipal.


“A inauguração desta unidade representa mais uma conquista importante para o atendimento socioeducativo na Bahia. Depois das regiões Norte, Sul, Portão do Sertão e Metropolitana de Salvador, o governo estadual garante a regionalização do atendimento no Extremo Sul do Estado. Desta forma, garantimos a aproximação familiar e cultural destes jovens durante o processo de ressocialização”, explicou a diretora-geral da Fundac, Ariselma Pereira.
Ainda de acordo com Ariselma, a Comarca de Teixeira de Freitas é a 5ª em todo o Estado a conduzir o maior número de adolescentes infratores para Salvador.
A Fundac é um pleito antigo do vereador Edinaldo Resende (PT), que ganhou forças através do deputado Yulo Oiticica, também petista, em discussões e mobilizações de entidades, representações políticas locais e organizações sociais.


Em seu discurso, Edinaldo destacou a luta para implantação da unidade em Teixeira, sua primeira indicação na Câmara de Vereadores, o vereador também falou da importância de descentralizações das implementações de políticas públicas, como forma preventiva no combate a violência.
Para o deputado Yulo, a unidade representa a busca por uma sociedade mais justa dando oportunidade de inserção da cidadania real. O parlamentar disse ainda que a diminuição dos índices de criminalidades relativos aos jovens se tornou um desafio que, para ser vencido, precisa da entrega popular e articulações das políticas públicas e suas execuções.


O juiz Argenildo Fernandes, que participou da solenidade, acredita que o Trilha seja um grande avanço no aspecto do acesso a proteção, ressocialização e disciplina. Antes comarca teixeirense não tinha alternativas para execução de suas medidas a não ser a condução dos menores a Salvador.


Semiliberdade: a medida socioeducativa semiliberdade é estabelecida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), antecedendo apenas à medida de internação (privação total de liberdade). Nela o educando fica sob a custódia do Estado, mas, realiza atividades externas, como ir à escola, trabalhar e visitar a família em datas comemorativas.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Papa Bento XVI anuncia sua renúncia ao Pontificado

 

Papa Bento XVI anuncia sua renúncia ao Pontificado

Papa Bento XVI anuncia sua renúncia ao Pontificado
Roma, 11 fev (EFE).- O papa Bento XVI anunciou hoje que deixará o Pontificado no próximo dia 28 de fevereiro devido à sua 'idade avançada ' e por sentir que lhe falta o vigor para seguir no cargo.
O papa, de 85 anos, fez o anúncio durante um consistório que foi celebrado no Vaticano para fixar as datas nas quais serão proclamados novos santos.
Explicou ao cardeais presentes em latim que tinha convocado este consistório: 'não só para as três causas de canonização, mas também para comunicar-vos uma decisão de grande importância para a vida da Igreja'.
O papa afirmou que 'após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o Ministério petrino'.
Bento XVI, de 85 anos, acrescentou que é muito consciente que este Ministério, pela sua natureza espiritual, 'deve ser realizado não unicamente com obras e palavras, mas também, e em não menor grau, sofrendo e rezando'.
O Bispo de Roma considerou que no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevo para a vida da fé, (...) é necessário o vigor tanto do corpo como do espírito.
E então destacou que nos últimos meses este vigor diminuiu 'de tal forma como eis de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o Ministério que me foi encomendado'.
Perante isso anunciou que 'muito consciente da seriedade deste ato e com plena liberdade', renunciava ao Ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro.
O pontífice indicou aos cardeais a necessidade de realizar dia 28 de fevereiro um Conclave para escolher o seu sucessor.
O papa foi eleito o 19 de abril de 2005.
fonte: Uol.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carnaval e a exploração sexual infantil

foto yulo p site bahia alerta

Yulo Oiticica

Por Redação Bahia Alerta
A exploração sexual infantil é a transformação das crianças e adolescentes em mercadoria sexual (comprada e vendida tanto ao céu aberto quanto no breu das tocas). Crianças e adolescentes em vulnerabilidade social que é o eufemismo para a miséria, o abandono e a falta de oportunidades. Crianças pobres, pretas ou quase pretas, que seguem pela vida com os corpos marcados e as almas aleijadas. Nenhum discurso jurídico, político, policial ou social pode dar a dimensão desta tragédia humana da exploração sexual infantil no mundo e especialmente no Brasil.
O Carnaval é um microcosmo da realidade brasileira, nele se congregam os aspectos mais relevantes e contraditórios do nosso tecido social. Temos a imensa explosão de alegria, rebeldia e otimismo que a folia momesca espalha e espelha por todos os cantos, mas sob o véu da violência, o racismo, a discriminação, a desigualdade, a exploração e a violência de todos os tipos infecta a grande festa.
Um dos aspectos mais sinistros do Carnaval é a exploração sexual e entre as várias formas, a infantil é a mais abjeta. A exploração coisifica a criança, transforma nossas meninas e meninos em mercadoria, e atenta contra a dignidade e a própria humanidade, tanto das vítimas quanto de todos nós. Uma sociedade que permite ou se omite num tema como este, está profundamente doente.
A doença social da qual a violência sexual infantil é um dos sintomas mais terríveis tem raízes nos próprios pilares da sociedade capitalista. Um modo de produção baseada na exploração, na opressão, na desigualdade, na competição desenfreada e na transformação de todas as coisas tangíveis e intangíveis em mercadoria e, portanto na própria mercantilização do ser humano, permite e promove as condições sociais que diuturnamente envia para as ruas, os bordeis e as estradas milhares de crianças para serem consumidas como mercadorias sexuais. É dentro deste quadro de uma sociedade injusta e excludente que temos que visualizar a questão da exploração sexual infantil, ou podemos cair na tentação de combater apenas os sintomas, quando é necessário combater os sintomas e as causas.
A liberdade de costumes representada pelo Carnaval é utilizada de forma corrompida para dar uma espécie de passe livre aos exploradores sexuais. Desde as ações individuais proporcionadas pela mentalidade machista que determinam o papel social da mulher como objeto sexual e que tornam “normal” pagar uma menina em troça de favores sexuais, passando pelos sociopatas que assediam e exploram crianças, até as quadrilhas que se especializam em oferecer para turistas e nativos meninas e meninos de 13, 14, 15, 16 anos para a satisfação sexual destes clientes, o certo e que o Carnaval amplifica uma realidade perversa que temos no Brasil.
É uma ilusão imaginar que podemos combater a exploração sexual infantil no Carnaval sem que este combate seja feito no cotidiano com políticas públicas preventivas e repressivas capazes de chegar ao âmago do problema, desde a miséria, o abandono, a desigualdade e a falta de perspectivas e oportunidades até a impunidade. O Carnaval é apenas parte da equação, a mais visível, a mais exposta, a de maior apelo midiático, mas não é o problema em si.
Por fim, gostaria de destacar o papel central da sociedade neste tema. Não existe possibilidade de extirpar este câncer sem que haja uma mudança cultural profunda. Enquanto tolerarmos a violência sexual em qualquer dos seus aspectos estaremos expostos ao caldo de cultura que leva a exploração sexual infantil. Enquanto as vítimas de violência sexual, e estamos falando esmagadoramente de mulheres, forem consideradas culpadas ou pelo menos responsáveis pela violência que sofrem, enquanto a forma de vestir e agir das mulheres for considerada justificativa para o estupro, o assédio e a violência continuaremos alimentando o caldo de cultura que leva a prostituição infantil, a pedofilia, aos estupros e atentados violentos ao pudor contra as crianças e adolescentes. Nossa sociedade não vai extirpar a “cultura” da exploração sexual infantil se não extirparmos a “cultura” da violência sexual e sexista.
* Yulo Oiticica é deputado estadual e vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

É hora de botar a CF 2013 na rua

 

Depois de 21 anos, a Igreja no Brasil traz de volta a reflexão do tema “juventude” em 2013 durante a Campanha da Fraternidade (CF). Vivi intensamente o ano de 1991, preparando a CF do ano seguinte. Tenho em meu coração um espaço de saudade daqueles anos. Eu havia conhecido a PJ em 1989. Tínhamos na paróquia uma assessoria efetiva e afetiva dos salesianos e salesianas. E pudemos ir preparando o terreno para uma boa organização paroquial da PJ por lá.

Olho para o cartaz da CF 92 e muitas recordações vem em minha mente. Uma delas é de que, pela primeira vez, eu ouvia falar de juventude na Igreja como um elemento renovador. Era “o novo”, falávamos e líamos nos documentos. Os cantos litúrgicos e de animação tocavam neste ponto.Tantas iniciativas. Tantos cursos. Tantas palestras. Tantos festivais. Tantos shows. Teve até escola de Samba falando no tema! Era o ano da juventude. Foi um despertar!

Pois então, vinte e um anos depois, nós estamos novamente às vésperas de outro “ano da juventude”. 2013 chega anunciando nova CF sobre juventude e pela primeira vez a Jornada Mundial da Juventude acontecendo no Brasil. Aqui nas terras paulistas, também estaremos celebrando 40 anos de organização pejoteira. É um ano bonito e cheio de desafios.


E será um ano e meio em que se deve trabalhar muito. Sim. Um ano e meio. O trabalho, se acaso não começou, deve começar já! É hora de botar a CF 2013 na rua. É preciso pensar em como iremos, estrategicamente, colocar na pauta das discussões a vida da juventude e a missão evangelizadora de nossos grupos como promotores e portadores de sinais do Reino de Deus.

Os coordenadores dos grupos de jovens já estão por dentro destas discussões? Estamos capacitando as lideranças? Como estão os processos de acolhida e de aproximação com os jovens fora da Igreja? Como estamos vivendo o relacionamento com os outros juvenis dentro das nossas comunidades? Estamos levando para o poder público e para a sociedade civil as questões que atingem diretamente a vida de tantos jovens? Estamos nos espelhando na vida e na prática de Jesus e das primeiras comunidades para poder realizar tudo isso?

Façam fóruns, rodas de conversa, seminários, retiros. Tragam para o centro das discussões as estratégias que devem ser adotadas para que esta CF tenha bons frutos. O que eu vou dizer é um clichê, mas é verdade: a gente colhe sempre aquilo que planta. Este momento, agora, é hora de começarmos a plantar, caso ainda não se tenha começado.

Há amigos que olham os primeiros sinais da próxima Campanha da Fraternidade (Hino, Cartaz) e ficam receosos. Outros não conseguem se enxergar nestes mesmos primeiros sinais. A eles eu digo: a vida pode ter a cor que queremos que ela tenha, mas para isso é preciso agir. Um símbolo não tem valor fechado sem a devida interpretação. O cartaz da CF 92 tem um grande valor simbólico para mim dado a tudo que vivi naquele período, mas nunca fui atrás da interpretação oficial. Com o novo cartaz pode ser a mesma coisa. O importante é que consigamos dar à juventude que está nos grupos da PJ um gosto bom e a intensidade de um momento bem vivido enquanto estiverem refletindo e vivenciando os momentos preparatórios e quaresmais desta nova Campanha da Fraternidade.

Há um campo de missão enorme aí! Há um tempo de esperança e um tempo de oportunidades. “Eis-me aqui. Envia-me”. Há tanto trabalho a ser feito. Há tanta juventude sem oportunidade, vítima de um sistema que a exclui e a joga para a marginalidade e daí para a criminalidade. “Eis-me aqui. Envia-me”. Há tantos jovens carentes de formação, carentes de lazer, carentes de carinho, carentes de sentido. Há tantos muros e tão poucas pontes.

É oportunidade boa, Pastoral da Juventude. É a chance de chegar em comunidades, nuclear grupos, apresentar a espiritualidade libertadora de Jesus, a espiritualidade do cotidiano, viva, sonhadora, lutadora e pensante. É hora de preparar bem o nosso povo. Há muitos para ouvir aquilo que temos a dizer. É um tempo urgente. É hora de ir aonde muita gente não quer, Pastoral da Juventude... “Ei! Oh nós aqui, oh! Envia-nos”.
Autor/Fonte: Rogerio Oliveira

sábado, 12 de janeiro de 2013

Você é o dono do seu destino

 


      Escrito em 1875 por William Ernest Henley, o poema britânico “Invictuous” tornou-se o companheiro mais constante de histórico prisioneiro inocente: Nelson Mandela que, aprisionado em Robben Island cumprindo pena de trabalhos forçados por 27 anos, lia e relia o texto de Henley para manter a esperança e a sanidade
“Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado-a-lado
Eu agradeço aos deuses que existem
Por minha alma indomável
Nas garras cruéis da circunstância
Eu não tremo ou me desespero
Sob os duros golpes da sorte
Minha cabeça sangra,
Mas não se curva,
Além deste lugar de raiva e choro
Para somente o horror da sombra
E, ainda assim a ameaça do tempo
Vai me encontrar e me achar, destemido
Não importa se o portão é estreito,
Não importa o tamanho do castigo.
Eu sou o dono do meu destino.
Eu sou o capitão da minha alma”
Os sentimentos ruins que nos rodeiam como depressão, preocupação,angústia, raiva, inveja e desespero representam a escuridão e as sombras do abismo da noite, com seus duros golpes em nossos corações, nos limitando e criando barreiras para realização dos nossos sonhos. Funcionam como prisões físicas do nosso corpo, mas jamais podem aprisionar a nossa alma, assim como aconteceu com um dos maiores líderes da história mundial, Nelson Mandela. A nossa alma indomável deve manter o entusiasmo ( Deus dentro de si) regido pela força da fé, do desejo ardente de vencer, iluminados pelo brilho do amanhecer, nos fazendo lembrar que depois da noite, sempre vem a luz da esperança que sufoca a escuridão do nosso medo, revelando sempre onde nós poderemos chegar para que o tempo, imparcial e implacável na sua missão, possa nos coroar no dia da nossa vitória.
O trecho final do poema “Não importa se o portão é estreito. Não importa o tamanho do castigo. Eu sou o dono do meu destino. Eu sou o capitão da minha alma” nos lembra que o nosso pensamento jamais pode ser aprisionado , pois está incorporado a nossa alma que tem conecção direta com Deus. Somos líderes de nossos sonhos.
“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que desejais.” Jeremias 29.11
“O que Eu faço não o sabes agora, compreendê-lo-ás depois”. (Jo. 13.7).
Quando o compreendermos nos admiraremos e com lágrimas confessaremos: “Senhor, tu tiveste intenções tão boas comigo, mas eu não pude entender!”
A nossa maior dificuldade é esperar o tempo de Deus. A verdade é que somos imediatistas e não esperamos o tempo suficiente para recebermos as bênçãos de Deus. Será que valeu a pena para Mandela esperar 27 anos para tornar-se um dos maiores líderes do mundo, conseguindo unir brancos e negros em um dos maiores avanços da história da humanidade? Não precisa responder. A resposta está no coração de Mandela.
Jamais desanime na busca dos seus sonhos (desanimar significa desistir da alma). Lembre que ela é o habitat do Espírito Santo presente em você. Persista nos seus objetivos, seja o capitão do navio da vida que o levará à Ilha onde repousa os seus sonhos. Independente da tempestades no seu percurso e da escuridão da noite, aguente firme. Nenhuma tempestade ou escuridão dura para sempre.
Postado por  e Vitor Volejo

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Após refúgio, bispo retorna para região de conflito em MT

O bispo emérito de São Félix do Araguaia (MT), dom Pedro Casaldáliga, 84, retornou a Mato Grosso após três semanas escondido em Goiás devido a ameaças de morte.
O bispo defende o direito de posse dos índios xavantes sobre a terra indígena Marãiwatsédé, no nordeste do Estado. Por isso, estava sendo ameaçado por posseiros.
Os não índios foram obrigados pela Justiça, em novembro, a desocupar a área de 165 mil hectares em que viviam desde 1992.
Sérgio Lima - 04.nov.2003/Folhapress
Dom Pedro Casaldáliga no plenário da Câmara dos Deputados durante homenagem
Dom Pedro Casaldáliga no plenário da Câmara dos Deputados durante sessão solene em sua homenagem em 2003
O padre Paulo Santos, assistente do religioso que se refugiou com ele, disse à Folha que ambos retornaram a São Félix no dia 29. Eles haviam ido para Goiás em 7 de dezembro, após recomendação do governo federal.
A volta de Casaldáliga foi discutida com representantes do governo. A decisão levou em conta o apaziguamento da situação na região.
A Secretaria-Geral da Presidência da República diz não haver mais resistência. As poucas famílias de não índios remanescentes aguardam caminhões de mudança.
Segundo Santos, dom Pedro Casaldáliga recusou a oferta de segurança feita pelo Planalto no refúgio e no trajeto de volta e só dará entrevistas quando a situação estiver resolvida.
"A gente quer evitar qualquer impasse nesse momento", disse o padre, referindo-se à retirada de posseiros.
Santos não quis informar em que cidades se esconderam, pois teme necessitar novamente de refúgio.
Ele diz que as ameaças -- que são investigadas pela Polícia Federal-- não foram feitas diretamente ao bispo.
Fundador da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário, o bispo ganhou notoriedade internacional ao denunciar atos de madeireiros, policiais e grandes proprietários rurais no regime militar, época em que os xavantes foram expulsos de suas terras.